Um poema de Jeferson Barbosa da Silva
"São estes que sempre foram,
são estes que estão aí:
os que valem os que não eram,
que se foram, e perdi."
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O amigo em Paris
está sozinho, agora.
Estará seco?
Estará louco?
Ou veio embora?
O amigo quis ser
o que eu não fui
até agora:
o louco certo,
o poeta certo,
em Paris...
Mas não deu certo.
Estará cego?
Estará morto?
E daí?
Não é necessário
fugir dessa verdade.
O nosso entusiasmo
tem que começar daí.
Volta, amigo,
Paris que se esborrache!
Vem, antes que a perda
nos dê seu xeque-mate
e antes que a paixão
se faça tarde.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Toca esse tambor e não tenha medo
Heine Heinrich
Doktrin
Schlage die Trommel und fürchte dich nicht,
Und küsse die Marketenderin!
Das ist die ganze Wissenschaft,
Das ist der Bücher tiefster Sinn.
Trommle die Leute aus dem Schlaf,
Trommle Reveille mit Jugendkraft,
Marschiere trommelnd immer voran,
Das ist die ganze Wissenschaft.
Das ist die Hegelsche Philosophie,
Das ist der Bücher tiefster Sinn!
Ich hab sie begriffen, weil ich gescheit,
Und weil ich ein guter Tambour bin.
Heinrich Heine
Doutrina
Toca esse tambor e não tenha medo,
e dá um beijo na vivandeira.
É a suma ciência,
dos livros o mais sentido profundo.
Toca para acordar o povo,
para a despertança com força nova,
toca, vai sempre à frente,
é a suma ciência.
É a filosofia de Hegel,
é o sentido sublime da livrarada!
Entendi porque sou esperto,
além de bom tamborileiro.
(Observação ao pé do poema: já o cuiqueiro é um tocador de tambor-onça.)
Doktrin
Schlage die Trommel und fürchte dich nicht,
Und küsse die Marketenderin!
Das ist die ganze Wissenschaft,
Das ist der Bücher tiefster Sinn.
Trommle die Leute aus dem Schlaf,
Trommle Reveille mit Jugendkraft,
Marschiere trommelnd immer voran,
Das ist die ganze Wissenschaft.
Das ist die Hegelsche Philosophie,
Das ist der Bücher tiefster Sinn!
Ich hab sie begriffen, weil ich gescheit,
Und weil ich ein guter Tambour bin.
Heinrich Heine
Doutrina
Toca esse tambor e não tenha medo,
e dá um beijo na vivandeira.
É a suma ciência,
dos livros o mais sentido profundo.
Toca para acordar o povo,
para a despertança com força nova,
toca, vai sempre à frente,
é a suma ciência.
É a filosofia de Hegel,
é o sentido sublime da livrarada!
Entendi porque sou esperto,
além de bom tamborileiro.
(Observação ao pé do poema: já o cuiqueiro é um tocador de tambor-onça.)
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
fragmento pianístico
(noturno)
o trilo é o grilo
assovio percutido
de múltiplos oscilos
martelo de feltro o brilho
pé de veludo no pedal
cordas de aço frio
atenção, tensão e tesão
se esticam e
relaxam
no sentido da flexa
se agitam
e dominam
jogo de pérolas
o gingo
o remanso leonino
agora, vírgula,
vida de gato inteiro
à noite é pancadaria
já a vida dos sapos
anda boa à noite
nas várzeas dízimas
da Água da Forquilha
coaxam a voz de cavaco
deve ser uma alegria
ainda mais com alastro
de dama-da-noite
no quente do anoitecido à brisa
estão quietos os periquitos
que fizeram ninho
na árvore grande
escavado no cupinzeiro
siriemas à noite piam
agudo e reverberante
no vale e suas vias
é o melhor som de silêncio
ao fundo
para o jogo às séries
ao acaso
ao sentimento
à emoção
o trilo é o grilo
assovio percutido
de múltiplos oscilos
martelo de feltro o brilho
pé de veludo no pedal
cordas de aço frio
atenção, tensão e tesão
se esticam e
relaxam
no sentido da flexa
se agitam
e dominam
jogo de pérolas
o gingo
o remanso leonino
agora, vírgula,
vida de gato inteiro
à noite é pancadaria
já a vida dos sapos
anda boa à noite
nas várzeas dízimas
da Água da Forquilha
coaxam a voz de cavaco
deve ser uma alegria
ainda mais com alastro
de dama-da-noite
no quente do anoitecido à brisa
estão quietos os periquitos
que fizeram ninho
na árvore grande
escavado no cupinzeiro
siriemas à noite piam
agudo e reverberante
no vale e suas vias
é o melhor som de silêncio
ao fundo
para o jogo às séries
ao acaso
ao sentimento
à emoção
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